Prólogo
Damarrel é uma terra antiga. Nos seus primórdios, era habitada apenas por elfos e anões, que apesar de seus conflitos de interesse, viviam em harmonia. Mágica e força bruta ajudaram Damarrel a se tornar em uma terra extremamente rica e acolhedora nos milênios que se passaram.
Enquanto isso, em um dos andares dos Nove Infernos, um deus desastrado cria acidentalmente em sua forja uma nova raça: os humanos. Frágeis mas dotados de grande inteligência e curiosidade, nos anos seguintes essas criaturinhas logo começaram a fazer colônias por todo o plano. Para azar deles, Tiamat, o monstro mais temível de todo o multiverso, não gostou da audácia de seus "novos súditos" e muito menos pelo apreço aos "seus tesouros". Assim, a paranoia da rainha dos dragões cromáticos levou a uma cruzada contra os humanos por todos os Nove Infernos.
Certo dia, Bahamut, irmão de Tiamat e patrono dos dragões metálicos, se compadeceu da situação dos humanos. Vendo a estabilidade de Damarrel, ele intercedeu a Erus, o deus élfico da vida e governador de todas as terras do continente, para que os humanos pudessem viver em tranquilidade ali. Com o pedido aceito, um portal nos Nove Infernos foi aberto e todos os humanos chegaram em sua nova casa.
O que eles não esperavam é que Tiamat também fosse parar em Damarrel. O que se seguiu foi uma guerra sangrenta entre os dragões, humanos, elfos e anões, que ficou conhecida como o Conflito Rubro-Negro. Com muito esforço, Tiamat e sua legião de dragões foi banida de volta para os Nove Infernos. A rainha jurou retornar e destruir todos que ali habitassem.
Sentindo-se traído por Bahamut, Erus permitiu que os humanos continuassem vivendo em Damarrel, mas ele voltaria para Faéria, o plano das fadas, e deixaria que os dragões tomassem conta do continente. Assim, ele designou Utar, o dragão de ouro, para cuidar dos reinos terrestres, Ezyr, o dragão de prata, para cuidar dos céus, e de modo a não provocar a ira de Timat, estabeleceu Yona, a dragão-fêmea negra, para cuidar das profundezas terrestres.
A Segunda Era
Nos séculos seguintes, humanos, elfos e anões viveram em paz, cada qual respeitando a cultura de seus vizinhos. O desenvolvimento tecnológico se aprimora e os agrupamentos humanos tornaram-se cada vez maiores e mais estruturados. A necessidade de um governante mais próximo que os dragões surge e assim nasce a figura do Rei.
Neste período, outras raças também são levadas ou surgem em Damarrel. Halflings, draconatos, gnomos, orcs e tieflings passam a dividir as terras tanto da superfície quanto do subterrâneo. Elfos e anões aos poucos vão se afastando das outras civilizações, construindo grandes recantos em florestas fechadas ou em imensas cavernas.
Toda a tranquilidade e riqueza lentamente se corrompe pelas mãos dos humanos. Gananciosos, eles passam a explorar as outras raças, especialmente os halflings e os orcs, usados como mão de obra escrava. Enquanto isso, as outras criaturas sofrem ataques em massa. Todo patrimônio, seja material ou intelectual, é levado por humanos, que passam habitar em metrópoles.
Uma família de humanos nobres em especial se destacou por sua sede de poder. Os Peverell, que gerara reis por gerações para Westwend, a maior e mais poderosa cidade de Damarrel, quando não sobrou mais nada para explorar, resolveu que era hora de "limpar o continente" de quem não era digno de morar nele. Assim, eles abriram fogo contra seus próprios compatriotas humanos e contra quem ficasse em seu caminho.
Civilizações inteiras de draconatos, gnomos, orcs e tieflings foram dizimados pela artilharia bruta e mágica dos humanos, que também sofreram baixas. A Grande Deflagração, como ficou conhecida a batalha, aparentara ter chegado ao fim quando os últimos membros da resistência foram cercados na costa leste de Damarrel, na Praia de Gelo, um gigantesco deserto congelado. Pierre Peverell, o patriarca dos Peverell e rei de Westwend, declarou-se rei de toda Damarrel e deixou seus últimos inimigos para trás para morrerem congelados. Também ordenou a construção de uma choupana e nomeou-a "Templo das Fraquezas", uma paródia aos Templos do Desejo, Liberdade e Provações, para simbolizar a origem pífia e fraca de cada um dos que morreram ali.
No entanto, Utar, vendo toda a situação, interferiu e declarou gerra ele mesmo contra os Peverell, que não tiveram chance contra o poder de um deus-dragão. Utar caçou e baniu cada Peverell para o Plano das Sombras, de modo que eles nunca mais fizessem mal a ninguém. Antes que pudesse ser pego, Cledalf Peverell, um mago poderoso tio de Pierre, encantou objetos pessoais de cada um de seus parentes para que um dia eles pudessem voltar ao Plano Material. Ele encantou as espadas dos príncipes gêmeos Noto e Vitu, o medalhão da pequena princesa Serena, o diadema da rainha Alexandra, o cetro de Pierre e seu próprio grimório, e fez com que eles se espalhassem pelo mundo para serem encontrados no momento certo.
Então, após a guerra, no centro do continente foi erguida a cidade de Varlok, uma palavra resultante de várias línguas que significa "lugar para todos nós". Ali não haveria distinções de raça nem de poder econômico e todos seriam tratados com justiça. Enquanto isso, Westwend foi completamente destruída e sua riqueza distribuída igualmente entre as raças e nunca mais se ouviu falar dos Peverell novamente.
A Terceira Era
Varlok foi um exemplo de cidade por muitos anos. Era exatamente aquilo que tinha sido projetada por Utar e pelos cidadãos de Damarrel. Um local de respeito e harmonia entre todos. A paz da Primeira Era parecia enfim ter voltado. Entretanto, tudo o que é bom um dia acaba se corrompendo. A população de Varlok cresce todos os dias, já que todo ser vivo quer desfrutar das maravilhas da cidade justa.
Cerca de 100 anos após sua construção, Varlok já contava com quase 500 mil habitantes. Esta superpopulação gerou um rápido desgaste na estrutura igualitária da cidade. Em pouco tempo, começaram a surgir novos magnatas na mesma proporção em que favelas apareciam nas regiões mais periféricas. Para manter a ordem, um Rei foi declarado, mas para evitar cometer os mesmos erros do passado, ele não podia controlar diretamente a guarda.
O sistema se manteve estável pelos quatro séculos seguintes, até os dragões cromáticos começarem a se agitar novamente. A Tirania dos Dragões, uma série de ataques severos dos servos de Tiamat, abalou seriamente as estruturas de Damarrel. Yona, a dragão-fêmea deusa das profundezas se voltou contra seus próprios súditos e abriu caminho para que a rainha dos dragões invadisse novamente o Plano Material. Sete portais para os Nove Infernos foram abertos e uma batalha conhecida como a Corrida das Sete Chaves teve início. Cada chave para fechar os portais foi jogada em um Plano diferente, e vários grupos de heróis foram enviados para recuperá-las. Seis chaves foram achadas, mas antes que a última pudesse ser trazida, Tiamat surgiu na entrada de Varlok para derrubá-la. Mais uma vez houve um embate entre Tiamat e Bahamut, desta vez chamado Noite Carmesim. Ajudado por amigos magos, Bahamut sacrificou-se espalhando sua essência e de Tiamat em todos os Planos, levando consigo parte de Damarrel. O local hoje é chamado de "A Grande Fenda". De modo semelhante, Yona foi proibida de regressar a superfície e todo seu contato com qualquer Plano de existência foi cortado.
Estes eventos serviram para fortalecer ainda mais a imponência de Varlok. Um conselho realizado anos depois extinguiu todas as monarquias regionais e decretou o Rei de Varlok como o Rei de Damarrel. Todas as 14 cidades restantes da Tirania dos Dragões passou a pagar impostos a "capital", que cada vez mais se tornou mais caro e injusto. Toda a Costa Oeste do continente foi arrasada economicamente. O Norte foi tomado por piratas, enquanto as raças "menos dignas" (draconatos, orcs e tieflings) foram aos poucos sendo banidas para o calor da Costa Leste. O Sul, por outro lado, também saiu fortalecida da guerra com os dragões. A relação com a vizinha Varlok foi se deteriorando, até chegar o ponto em que nenhuma cidade da região reconhecia-a como "capital", ficando a beira de uma guerra civil.
Anos se passaram e em 1352 c.V. ("construção de Varlok"), tudo isso é história. Exceto o fato de que Varlok é uma megalópole e que o resto de Damarrel vive em situação lastimável. Ah, e os Peverell também voltaram a ser lembrados.
Assim como Lokii, tudo recomeça.
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